sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SOFFIATI: SALINIZAÇÃO ERA PREVISTA


A salinização da água doce usada por agricultores do 5º Distrito de São João da Barra, denunciada por pesquisadores da Uenf, preocupa ambientalistas da região. Segundo Aristides Soffiati, o problema já era previsto, mas não esperava que se chegasse a uma dimensão tão grande. Ele explica que todo ecossistema fica comprometido, porque a salinização do solo é de difícil reversão.

— O excesso de sal pode trazer muitos problemas para a fauna, a flora e, principalmente, para os produtores que estão com suas lavouras perdidas. Se não tiver uma medida reparadora e de contenção, os danos serão ampliados. Agora, resta uma pergunta: o que fazer para retirar todo esse sal? Alguma tecnologia terá que ser utilizada — informou Soffiati.

A assessoria de imprensa do Instituto do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea) informou que o secretário de Estado de Ambiente, Carlos Minc, e a presidente do Inea, Marilene Ramos, farão uma coletiva de imprensa na próxima semana para anunciar as medidas corretivas e de punição que serão aplicadas ao grupo EBX. Ainda não se sabe se as medidas corretivas se referem a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), multa ou outra iniciativa.

De acordo com a presidente do Inea, Marilene Ramos, o problema ocorreu após o transbordamento da água salgada do sistema de drenagem na dragagem do Superporto do Açu. A água, que deveria voltar para o mar, teria atingido reservatórios de água doce na localidade.

O canal mais atingido foi o Quintingute, principal fonte de abastecimento dos agricultores locais. Ele foi caracterizado como de água doce pelo estudo de impacto ambiental, mas atualmente tem 2,1 de salinidade, quando o adequado para irrigação é de, no máximo, 0,14.

No estudo divulgado pelos pesquisadores da Uenf, eles afirmam que, se nada for feito, um processo de desertificação da região poderá ser iniciado. Essa é a primeira conse-quência ambiental direta detectada após o início das obras do empreendimento. O Ministério Público Federal e Estadual instauraram inquérito para apurar o caso ocorrido em São João da Barra.

A dragagem é feita para aumentar a profundidade do mar e do canal aberto pela empresa, a fim de permitir o acesso de grandes navios. A licença ambiental emitida permite a retirada de 65,2 bilhões de litros de areia do mar, sendo que 31 bilhões já foram depositados em solo. 

Produtores rurais de SJB perdem lavouras

Lavouras de quiabo e abacaxi comprometidas. As folhagens estão queimadas e os frutos não se desenvolvem. Esse é o quadro em diversas propriedades rurais de Água Preta, 5º Distrito de São João da Barra. Os agricultores garantem que estão vivendo uma situação jamais vista, de muito prejuízo. Roberto de Almeida, 50 anos, diz que perdeu dois caminhões de abacaxi.

— Já fizemos de tudo para recuperar a lavoura, mas a terra precisa ser molhada e não temos outra fonte senão a que está totalmente salinizada. Com 43 anos de enxada nunca vi coisa igual. A plantação não desenvolve — disse o produtor.

Nota — A LLX informou que é feito um monitoramento dos níveis de salinidade em mais de 40 pontos si-tuados na área de influência do Superporto do Açu, de acordo com as exigências do licenciamento. A empresa também possui convênio, desde 2010, com universidades locais, como a UFRRJ, para monitoramento dos canais utilizados para irrigação, sem qualquer indicação de alteração da atividade agrícola. A empresa informa, ainda, que firmou parceria com universidades e especialistas em meio ambiente para ampliar o monitoramento na área.

Fonte: Folha da Manhã - Jane Ribeiro

Um comentário:

Lineu Aguiar disse...

Caro Sergio:

Que surpresa o Soffiati se pronunciando depois de anos de construção do porto. Teria ele mudado de pais? Onde está o X da questão?